Piratas dentro do quartel
Ao investigar o vazamento do filme “Tropa de Elite”, a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) descobriu que a multiplicação da fita não se deu apenas através da indústria da pirataria, que já teria abastecido os camelôs com 375 mil cópias. De acordo com os investigadores, o filme foi disseminado pelos próprios espectadores, que copiavam as imagens em computador e distribuíam para amigos e conhecidos.
Desta forma, por exemplo, uma das cópias parou nas mãos de um soldado que fazia o curso de sargento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap), em Sulacap. Ele fez cópias e deu a colegas de turma. Mas não está indiciado, porque foi o responsável por denunciar o caso ao comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), iniciando a investigação policial.
De acordo com policiais, as três cópias que deram origem à pirataria saíram da empresa Drei Marc, responsável pelas legendas, nas mãos de Marcelo Santos. Ele é o único indiciado por “vazar” a cópia.
Depoimentos prestados na delegacia mostram que ele fez três cópias do filme: uma para o ator Alexandre Mofati, que partipa do longa, e outras duas para os também legendadores William Correia e Eduardo Cardoso.
Caminho tortuosoOs policiais da delegacia especializada da Polícia Civil conseguiram rastrear o caminho de uma das cópias. Da mão de Marcelo, o DVD pirata foi passado para William Correia e dele para um funcionário dos estúdios Herbert Richers.
O rapaz entregou então uma cópia à sua irmã, que pirateou um DVD para o soldado do Bope. O soldado entregou uma cópia ao tenente-coronel Pinheiro Neto, comandante da unidade.
Com a cópia nas mãos, o oficial da unidade de elite da PM comunicou o fato ao diretor do filme, José Padilha. Assim, a produção de “Tropa de Elite” descobriu que o filme havia sido pirateado. Nesse momento, a produção já estava nas ruas. Mais precisamente, em Niterói.
De acordo com policiais, um camelô no Centro da cidade, próximo à Avenida Visconde de Rio Branco, foi o primeiro a vender a cópia do filme. Por coincidência, o legendador Eduardo Cardoso, ouvido pela polícia, mora no Centro. Mas nada foi provado contra ele.
Marcelo Santos pode ser condenado de um a quatro anos de prisão.
Fonte: Extra Online


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