Führer Ex

Como tenho que gravar o Diário de Anne Frank. Preciso alugar filmes sobre Nazismo. Como aluguei seis, o primeiro que irei comentar é o Führer Ex. Enquanto eu o assisto, eu escrevo sobre ele aqui.
O filme se passa em 1986, o começo não é muito legal, para ganhar licença para o trabalho, um quebra a mão do outro… Primeiro pisando, depois batendo na porta.
Ajudaria se os dois lados do fone estivessem pegando…
Aos 15 minutos de filme, já tem cena de sexo… No minuto 24 também… E no 25 também…
Os dois amigos foram presos ao tentar atravessar uma fronteira.
Bem, como eu passei até o final, por conta de que o meu ouvido não agüenta som de um só lado (nem minha paciência), não posso falar o resto. Mas, até aonde eu assisti, o filme é muito dramático.
Vejam o que o Dw-World diz:
O cineasta Winfried Bonengel rodou em 1992 Profissão Neonazista. Acusado, entre outros pelo semanário Der Spiegel, de propagar a ideologia de extrema-direita, o filme causou transtornos na Alemanha. O então presidente do Conselho Central dos Judeus no país, Ignatz Bubis, reivindicou a proibição do documentário.
Hoje, dez anos mais tarde, Bonengel volta a bater na mesma tecla. Desfilando uma gama de “motivos” que levam jovens inocentes a serem devorados pelo circuito da extrema-direita, o diretor traz em seu primeiro longa de ficção o que o diário Der Tagesspiegel chama de “diálogos de papel, muito espaço para clichês e um final que não sabe para onde ir com tantos fios narrativos e emocionais”.
Escorregões para a direita - Numa Europa que vota em Le Pen e escorrega cada vez mais para a direita, é de se pensar que um tema como o escolhido por Bonengel provocasse toda a espécie de reação, menos a indiferença. No entanto, parece ter sido essa a resposta do público do Festival de Veneza, onde o filme foi exibido na competição pelo Leão de Ouro. Sinais de que o festival acontece sob os auspícios de Berlusconi ou prova de que o extremismo de direita vai, mais uma vez no Velho Continente, rondando à espreita de uma brecha para voltar?
Independentemente da qualidade do filme, o fato de exatamente um alemão creditar “às circunstâncias” as razões do nascimento de núcleos de extrema-direita já é digno de nota. Falar de neonazismo em solo alemão carece, em primeira linha, de muito cuidado. Como já disse o ministro verde das Relações Exteriores, Joschka Fischer, no contexto de um debate sobre anti-semitismo na Alemanha, o tema “é e deve continuar sendo um tabu” no país.
Inteligentes e sensíveis - O perigo de filmes como Führer Ex fica exatamente aí. Skinheads são vistos da mesma forma com que Bonengel via Ingo Hasselbach, motivo de inspiração para o seu primeiro longa de ficção: “inteligente, sensível e de boa aparência”. As ligações com a extrema-direita surgem como que por falta de saídas numa sociedade que cerceia a liberdade do indivíduo, como a da ex-Alemanha Oriental, de regime comunista, cenário do filme.
Sob a pespectiva de Bonengel, tudo parece lógico: a sociedade maltrata o jovem, que por sua vez encontra um aconchegante ambiente na violência neonazista. Ao falar sobre um dos protagonistas de Führer Ex, o diretor explica em tom suave: “Heiko procura a ajuda dos neonazistas porque ele, de outra forma, iria morrer dentro da prisão, pois não consegue viver assim. Ele vai até os neonazistas por uma questão de sobrevivência”.
“Falta de opção” - E é aqui que Bonengel parece entregar seu jogo. Pobres rapazes, no beco sem saída de uma sociedade repressora, transformam-se em extremistas por “falta de opção”. Isso, por mais arrepios que cause, faz lembrar o discurso do pós-guerra na Alemanha, quando ex-oficiais de comando dos campos de concentração passaram a afirmar que “cumpriam apenas ordens”.
De vendas nos olhos, fica mais fácil creditar a culpa ao outro. Da mesma forma, fica mais fácil para a consciência ver o “lado humano” do carrasco. Como nas palavras de Bonengel: “Não acho que se consiga alguma coisa, ao mostrar, de forma completamente distante, os nazistas como totalmente inumanos, como monstros do começo ao fim, como acontece com freqüência. Isso é simplificar demais”. Simplificar demais é também seguir a receita de bolo fácil: humilhação, abuso sexual, pancadaria, isolamento social e pronto. Já está aí o neonazista de plantão.


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